Má competição do mercado derruba lucratividade de TI no Brasil

Os empresários brasileiros ligados a tecnologia da informação enfrentam praticamente as mesmas dificuldades dos companheiros de outros setores da economia. Contudo, eles podem se mostrar ainda mais insatisfeitos, visto que a lucratividade de seus negócios por aqui é bem menor do que no exterior. De acordo com um levantamento realizado pela consultoria Akurat, empresas de tecnologia da informação no Brasil obtêm lucratividade bem menor do que nos demais lugares analisados, como nos Estados Unidos, Europa e Índia.

Segundo o sócio diretor da Akurat, Klaus Ehmke, a média de Ebitda, que representa o lucro antes do pagamento de impostos e taxas, alcançada no Brasil é de apenas 3,5%, enquanto que na Índia, por exemplo, a média é de 26,5%, 17,1% nos EUA e 16,9% no resto do mundo.

Para a análise, foi realizada uma comparação utilizando um banco de dados com o resultado de 2,2 mil empresas de TI espalhadas pelo mundo, onde constam três brasileiras: Linx, Senior Solutions e Totvs, que se tratam das únicas listadas na Bovespa. Na lista final do levantamento, outras empresas estão incluídas, mas a dificuldade em se conseguir os dados impediu que o número de empresas nacionais fosse maior que 20.

Pesquisa de lucratividade

“O principal fator negativo é a competição predatória. Em mais de 20 anos em empresas multinacionais e nacionais de TI, a cada concorrência por um novo cliente percebe-se como cresce o canibalismo, que estabelece patamares de preços cada vez mais baixos e impossíveis de gerar margem para qualquer empresa. São margens baixas e muitas vezes negativas com o único objetivo de ganhar mercado”, declarou Ehmke.

O executivo ainda lembra que os empresários brasileiros deste ramo apontam os custos trabalhistas, a carga tributária e a baixa produtividade como principais responsáveis pela baixa lucratividade de seus negócios. Porém, Ehmke afirma discordar dessa interpretação, visto que esses são fatores que afetam a todos.

Para o executivo, o Mercado de TI necessita de escala e os erros de precificação, baixa produtividade e de planejamento fazem com que a maioria dos projetos em desenvolvimento de sistemas acabem com margens muito menores do que as estimadas. Boa parte do insucesso lucrativo dessas empresas deve-se a elas próprias.

“As empresas que têm grande escala ainda conseguem compensar os projetos deficitários com os mais lucrativos, mas as empresas de pequeno e médio porte sofrem muito com os projetos deficitários, que não conseguem se recuperar ao longo do tempo. Os reajustes anuais dos contratos muitas vezes mal cobrem o dissídio aplicado aos salários”, conclui Ehmke.

Fonte: Canaltech Corporate
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